Apartamento em S. Vicente – Lisboa

com Filipe Gomes Oliveira

S. Vicente – Lisboa

renovação de apartamento em edifício dos anos 1940
equipa de projecto:
joão carvalho pontes, filipe gomes oliveira
imagens de visualização: andré novo
área de implantação: 120 m²
projecto:
2019 – …
estado: pedido de licenciamento aprovado

Vicente . memória conceptual

O espaço a intervencionar localiza-se num edifício construído no final dos anos 40 na freguesia de S. Vicente, parte de um conjunto homogéneo que limita, a sul, quase totalidade do Largo Dr. Bernardino António Gomes (Pai). A entrada efectua-se a norte, ao nível do rés-do-chão, e a fracção desenvolve-se a sul/poente ao nível de um segundo piso sobre o Pátio da Cova, sendo que é pretendida a alteração da sua função comercial para uma habitação com dois quartos.

Apesar do interesse histórico do edifício, o interior da fracção encontra-se completamente descaracterizado e inadequado à função de habitação. A intervenção propõe a remoção da compartimentação existente e o desenho de um layout em L, permitindo a organização do apartamento em 3 frentes e uma clara divisão entre zonas sociais e privadas. A sala de estar, sala de jantar e kitchenette são localizadas na vertente norte, desenvolvendo-se de forma contínua e articulada, tirando partido do desnível pré-existente para a criação de relações espaciais dinâmicas entre si, assim como da substituição do anterior vão de garagem para a definição de um “jardim de inverno”, elemento fundamental na mediação da relação com a rua. Na vertente sul / poente localizam-se os quartos, de acesso mais reservado, aproveitando todo o potencial das varandas, agora reabertas.

Ao nível da materialidade, a intervenção caracteriza-se por uma abordagem pragmática e definidora de uma identidade habitacional própria. Existindo um pé-direito elevado e variável, optou-se pelo revestimento das paredes em reboco ou madeira pintada até aos 2,30m, expondo na sua parte superior e nos tectos o carácter estrutural e bruto da pré-existência descascada. Nos pavimentos e restantes superfícies, é dada primazia a materiais locais e de aplicação corrente, como a pedra calcária, mosaico hidráulico e soalho de madeira.

Nas fachadas, as caixilharias vão de encontro às pré-existências históricas, sendo de relevar o desenho de uma nova caixilharia em metal e vidro em substituição do vão de garagem.

Em suma, a intervenção procura uma estratégia flexível e abrangente, criando condições para a redefinição do carácter e configuração espacial do existente, transformando-o numa habitação contemporânea, sensível ao contexto histórico, e ajustável a diferentes modos de habitar.

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